sexta-feira, 19 de outubro de 2012

COMPOTA FIGOS DA INDIA



Ingrediente
Quant.
Figos
1kk
Açúcar                       
750g
Limão, sumo
½  dl
Limão, casca de
1



                                                                                             
           

  Nota prévia:

A maior dificuldade  na obtenção desta compota não é a fase da confeção culinária, mas a recolha e preparação até à fase da confeção.
Como é que se colhe e prepara o figo da Índia? Para colher, pega-se o figo  com uma tenaz de brasas e coloca-se numa superfície lavável, onde os picos não fiquem depositados.
Para nos libertar-mos mais dos picos, podemos espetar os figos num garfo ou  seguros na tenaz  e passa-los pela chama.
Para retirar a polpa segura-se o figo com um garfo  na mão esquerda (isto para quem for destro, ou  ao contrário para quem for esquerdino), com uma faca de ponta bem afiada retiram-se as extremidades do fruto , faz-se uma incisão no sentido vertical, roda-se com a faca e retira-se a polpa, sem nunca encostar as mãos.
A operação mais difícil está feita,  e depois do produto  acabado sentimos que valeu a pena.

Confeção:
Preparados os frutos, passam-se pela rede fina do  passe-vite e retiram-se as sementes, que se inutilizam ou se aproveitam para geleia.
Retira-se a parte superficial da casca do limão (o vidrado) e corta-se em bocadinhos muito pequeninos. 
Leva-se  o açúcar ao lume com 1/3 do seu volume de água, junta-se a casca de limão  e deixa-se fazer ponto de espadana ( ver ponto 10 de preparativos para confeção e conservação de doces de fruta de 04 /10 /012).
Nesta altura junta-se a polpa do figo que se  tem preparada, mexe-se bem e deixa-se obter ponto de estrada.
Junta-se o sumo de limão, deixa-se ferver 1 a 2 minutos, retira-se do lume e enfrasca-se pelo processo indicado no ponto 6 da comunicação de 04/10 /012.
Rotula-se e arruma-se em lugar seco e fresco, conforme indicação do ponto 7 da comunicação acima referida.

  Quadro do valor nutritivo dos alimentos
Alimentos
Quant.
V.E.
Prot
Gord.
H.C.
F.A.
g
kcal
g
g

g
Figo*
1000
340
5
0
71
3
Açúcar
750
2932,5
0
0
774,75
0
Limão
50
20,5
0,15
0,05
4,75
0
Total
1800
3293
5
0
851
3
Nutrientes por 100g ≈
244
0
0
63
0
Rendimento da receita ≈ 75% = 1350
*Fonte: Wikipediawww









ESTAMOS NA QUADRA DOS SANTOS


            


Ao dia de Todos os Santos também se chama  o dia do Pão por Deus. Esta tradição  está carregada  de simbologia pagã  que remonta   ao tempo dos  romanos.
A religião é um forte vínculo da união de um povo e de uma civilização. Os romanos que praticavam a religião pagã e a disseminaram no mundo por onde passaram, anteriormente à religião cristã, festejavam as quatro Estações do ano, Solstício de Verão, Solstício de Inverno, Equinócio de Primavera e Equinócio de Outono.

No Equinócio de Outono festejavam as colheitas e louvavam, por elas, ao Deus Sol. A religião cristã procura dar a essas quadras o sentido cristão, que inicialmente não tinham. No princípio do cristianismo  os santos venerados eram apenas os mártires com as celebrações em seu louvor prestadas nos subterrâneos das catacumbas.

No século VIII,  Gregório III manda erigir na Basílica de S. Pedro em Roma, a  capela  dedicada ao Divino Salvador e a sua Santíssima Mãe, aos apóstolos e a todos os mártires e confessores. Começou por aqui a  prestar-se culto a todos os santos da igreja.

No século IX o Papa Gregório IV fixa a data desta religiosidade para 1 de Novembro, tornando-se universal no mundo católico e constituindo uma das principais  solenidades da religião cristã.

No final do século X  a Igreja Católica associa a estas celebrações às de devoção   pelos fieis defuntos e orações pelo seu  eterno descanso, mas o povo não se dissocia das  tradições pagãs e continua a festejar o Equinócio com as práticas antigas  associadas às colheitas e à abundância.

Mais tarde, a Igreja  passou a devoção dos defuntos para o dia  2 de Novembro, ficando  o dia 1 dedicado a  todos os santos.  Separando esse dia do da devoção pelos defuntos, o povo continuou  a manter as antigas devoções pagãs, que festejavam a abundância, das colheitas.

A tradição do  Pão por Deus está assim associada às praticas pagãs da abundância, práticas que a Igreja, com o tempo tem vindo a cristianizar, ensinando que, por Deus, os mais abastados repartam com os mais necessitados.

Assim se instalou o costume de repartir as colheitas, engrossando nesse dia as esmolas e por esse  ato caritativo alcançar merecimento de um lugar no céu, procedimento que fazia com que  a festa da abundância  chegasse  a todos.
O povo assim o interpretou e continuou, ainda que   de  modo diferente, a  praticar a tradição pagã, que até  hoje prevalece.
O peditório do Pão por Deus, feito pelas crianças, à porta dos vizinhos e amigos, bem como o presente das broas ou iguarias equivalentes, não representam hoje qualquer  sinal de pobreza, nem tão pouco de culto Pagão ou Cristão.

Elas representam, antes, um sinal de que o povo se agarra a símbolos do passado, que completam  as suas vivências do presente, ainda que muitas vezes, sem dar qualquer importância às  suas origens  ou ao   significado que então tiveram.









BROAS DOS SANTOS  







     
Ingredientes
Quant.
Ingredientes
Quant.
Farinha
1kg
Nozes
100g
Fermento pad.
50g
Pinhões
50g
 Bicarbonato
1 c/ chá
Limão, casca
de ½
Açúcar
500
Erva doce
100g
Margarina
200
Água
≈ 2,5dl
Azeite
½ dl
Sal
1 pitada

          Dia 1 de Novembro
 
                      
                                                                      
Confeção:
Ferve-se a casca de limão na água, deixa-se arrefecer até ficar morna.
Deita-se  num alguidar a farinha, o bicarbonato, a erva doce, o sal, o fermento desfeito na água morna da fervura do limão e a margarina amolecida.
Misturam-se  todos os ingredientes e começa a amassar-se ligando-os bem até humedecerem, se for necessário vai-se deitando pequenas gotas de água, mas com muito cuidado, porque a massa deve ficar homogénea, mas dura.
Quando a massa se começa a despegar das mãos e a ficar um pouco rendada e elástica, é sinal de que a amassadura está pronta.
Nesta altura juntam-se as frutas envolvem-se bem na massa, faz-se uma bola no próprio alguidar, cobre-se com um pano de algodão branco, abafa-se com um cobertor e deixa-se a massa levedar em ambiente moderado e estável durante umas duas a quatro horas.
Depois da massa leveda, retira-se  do alguidar, separam-se pequenos bocados que se moldam, com as palmas das mãos, em forma de pequenas bolas, que se colocam num tabuleiro previamente untado com margarina, forrado com papel vegetal, também untado ligeiramente  e polvilhado com farinha.
Leva-se o tabuleiro ao forno previamente aquecido, a temperatura de 200º durante 20 a 30 minutos, passando a meio da cozedura para temperatura mais baixa. ( se for em forno de lenha, conforme com a tradição, então terá que se conhecer as normas desse tipo de  forno).
Quando  as broas se apresentarem cozidas,  retiram-se  do forno e colocam-se  sobre uma rede ou diagonalmente noutro tabuleiro, sobre  um pano até arrefecerem.
Depois de frias podem sobrepor-se e guardarem-se, até três a quatro semanas em recipiente bem fechado, para que não amoleçam.


Nutrientes  por 100g  ≈
V. E.
Prot.
Gord.
H.C.
F.A.
kcal
g
g
g
g
422
7
16
63
2



Obs:
Estes bolinhos, tradicionais da região saloia, chamados  broas, datam da antiga civilização pagã, que celebrava  a festa equinocial  relacionada com as colheitas em louvor aos deuses, sobretudo ao deus sol, mas também à formenta, deusa do pão. A igreja católica instituiu em seu lugar a festa de todos os santos, tocada pela devoção aos finados. Conservando-se da antiguidade o agradecimento pelas colheitas, expresso pelo gesto caritativo do «Pão por Deus» que se dá e se recebe.

domingo, 7 de outubro de 2012

Geleia de Marmelo


Data:  2012, Outubro,  07. 

Geleia de Marmelo

Meus amigos, já experimentaram a compota  de marmelo? É  um doce muito bom, não é!

E a marmelada no ponto exato de açúcar, outra maravilha tão  portuguesa  e tão regionalmente saloia.
Hoje vamos à geleia.                                                   

Ingredientes
Quant.
Marmelo
1kg
Água
1lt
açúcar
800g
Limão, sumo
¼ dl

Confeção:

·       Podemos fazer a geleia cozendo os marmelos e aproveitando a água da cozedura, mas também podemos faze-la apenas da cozedura das cascas, sementes e endocarpo (parte interna junto às sementes).

·        Boa oportunidade para fazer a geleia, é quando se faz marmelada, aproveitando á água de cozer os marmelos.

·        A essa  água juntam-se o endocarpo com as sementes  e fervem  durante  cerca de 20  minutos.

·       Seguidamente passa-se a  água  da cozedura  por um passador de rede fina, mede-se, 1litro  dessa água para 800g de açúcar, juntam-se (a água e o açúcar) e deixa-se  ferver até obter ponto de estrada (ver pontos de açúcar).

·       Escuma-se, junta-se o sumo de limão, deixa-se ferver 1 minuto a 2 minutos , retira-se do lume e enfrasca-se  pelo processo indicado no ponto 7 de  preparativos para confeção e conservação de doces de fruta.

Alimentos
Quant.
V.E.
Prot.
Gord.
H.C.
F.A.
g
Kcal.
g
g
g
g
Marmelo*
(1000)
-
-
-
-
-
Açúcar
800
3128
-
-
794,4
0
Limão/sumo
10
4,1
0,03
0,01
0,95
0
Água
1000
-
-
-
-
-
Total
1810
3132
-
-
795
0
Nutrientes por 100g ≈
231
0
0
59
0
Rendimento da receita ≈ 75% = 1358g
*O marmelo não é contabilizado para os nutrientes

 

 

 

 

  

Hoje ficamos apenas com as iguarias mais conhecidas do marmelo,  mas  não se pense que  do marmelo só se faz  compota, marmelada e geleia, não!  Com este  rústico, mas maravilhoso fruto, fazem-se  ótimas iguarias  quer doces, quer salgadas.
Em complemento das três receitas de doce de marmelo, deixo o seu cartão de identidade.
 Nome científico:  Cydonia oblonga, família  Rosaceae.
 Características: Pequena arvore, pouco mais que um arbusto, muito rústica, quase espontânea.
 
Habitat: Terrenos fortes , climas secos,  encontra-se em todo o território português, frequentemente
           em bordaduras.
 
Origem: Médio Oriente.

Idade:  Anterior à Era de  Cristo.
 
Aplicação:  Para além do uso  culinário, o marmelo e bem assim a planta que o produz ( o
                marmeleiro) são indicados para tratamentos medicinais.

Também, segundo as crónicas populares,  a vara de marmeleiro  era um grande instrumento  educativo!
 
 

 


 
10. PONTOS DE AÇÚCAR                           
Para preparar qualquerdoce de fruta é necessário conhecer e saberpreparar os pontos de açúcar.
Em qualquer das receitasde doces de que já falamos, eles foram referidos. Então aqui vão, são o ponto 10 de preparativos para confeção e conservação de doces de fruta.

Para se obter os pontos de açúcar:

Põe-se  o açúcar ao lume com cerca de 1/3 da sua medida de água e deixa-se ferver até obter um ponto mais ou menos consistente, conforme se desejar.

 
Como se observa se o açúcar está no ponto certo, não se dispondo de termómetro

 
  Ponto de pasta: - 101 graus centigrados.
      Quando o açúcar começa a aderir  à espátula ou colher  de pau ou baquelite  com que  se está a
      mexer, ou deitando uma gota num pires e  ela enrugar ao passar-se  com o dedo.

  Ponto de fio: - 103  graus centigrados.

      Quando ao molhar os dedos, polegar e indicador, no açúcar e eles  se juntarem  um com o outro 
      e  ao solta-los formam-se uns fios de pouca resistência entre ambos.
 
3º Ponto de cabelo: -106 graus centigrados.

      O processo empírico de testar é o mesmo do ponto de fio, só o termómetro pode dar  a
       temperatura certa.
 
  Ponto de pérola: -108 graus centigrados.

      Quando a calda ao cair da espátula ou colher  com que se está a mexer, suspender uma gota na
      ponta semelhante a uma pérola.
 
  Ponto de estrada:- 110 graus centigrados.

Quando, ao passar com a colher de pau ou espátula, pelo creme ou calda de fruta, se formam uma estrada, que se o conteúdo do tacho não for muito alto,  permite ver o fundo do mesmo.
 
  Ponto assoprado: - 112 e 115 graus centigrados
 
      Quando assoprar o ponto ele se levanta em espuma.

   Ponto de espadana:- 117 graus centigrados.  

       Quando ao mergulhar a espátula ou colher na calda, ao retira-la a calda  cai em  lâminas.

   Ponto de rebuçado:- 125 graus centigrados  .

       Quando deitando uma gota de calda num copo com água fria, ela se junta  no fundo em forma de
       monte duro e quebradiço.

   Ponto de areia:- 141 graus centigrados.

       Quando a calda começa a secar e a depositar-se junto às paredes da caçarola.

10º  Ponto de caramelo:- 145 graus centigrados.

        Quando  a calda passa de cor branca a amarela  pró- castanha.

Encontramos o ponto.

Hoje ficamos por aqui, mas não acabaram os doces de fruta, na próxima semana cá estarei para vos comunicar mais algumas receitas e procedimentos.

                                                                                              O abraço de sempre, Palmira