quarta-feira, 7 de março de 2012

BATATAS DE TODAS AS MANEIRAS






BATATAS COZIDAS

A batata pode ser cozida com casca ou sem casca, mergulhada  em água  ou a vapor. Simplesmente cozida e temperada com azeite, ou temperada  com qualquer outro molho de   carne ou peixe. Guisada, salteada, assada ou frita, ela é dos acompanhamentos mais versáteis e mais usado.

BATATAS SALTEADAS

As batatas salteadas são apenas batatas cozidas e posteriormente passadas pela fritura. Para esse efeito são preferíveis as batatas pequeninas ou então são partidas em bocados de tamanho aproximado de batatas pequenas.
As batatas salteadas fazem uma boa junção de acompanhamento de assados ou estufados.

 BATATAS ASSADAS A MURRO

Está hoje muito vulgarizada a batata assada a murro, é interessante a expressão de assar a batata com  murro, mas o murro só surge depois da batata assada, para a  rebentar afim de tomar o sabor do tempero.
O processo de as assar hoje é o seguinte:
Lavando-as bem e retirando-lhes eventuais grelos ou outros detritos, secam-se num pano e põem-se no forno dentro de num tabuleiro a assar com a casca.
Quando estiverem assadas, retiram-se do forno, dá-se-lhes então o tal murro e deita-se-lhes o sal por cima, alho picado  e muito azeite ou outro molho, mas é mesmo com o azeite que elas são boas. 
Porém nem sempre assim foi, as batatas a que se veio a chamar batatas a murro, também se chamavam batatas assadas na cinza e foi assim que elas nasceram.

 BATATAS ASSADAS COM CARNE OU PEIXE

Escolhem-se batatas pequenas, descascam-se  e coloque-as no tabuleiro dos assados (carne ou peixe), as batatas assam com o molho do assado.

 BATATAS FRITAS

As batatas fritas são o processo mais moderno, é  um processo prático, rápido e saboroso, apenas com um contra, o do consumo excessivo de gordura e toxidade da mesma principalmente quando atinge temperaturas muito altas.
Por estes dois contrários para a higiene alimentar, as batatas fritas deveriam ser comidas só em dias de festa, como antigamente.
Se consultarmos a Tabela da Composição de Alimentos vemos que relativamente  ao  valor energético (VE) e atendendo  apenas a ele, a batata apresenta os seguintes valores:   Crua 89 kcalorias,    Cozida 85,     Frita caseira 225,   Frita industrial 526.

 PURÉ DE BATATA

O puré é feito apenas com batata cozida e leite. É um processo  mais elaborado de cozinhar a batata, que faz dela  um  acompanhamento  requintado, seja para carne ou peixe  e mais saudável que as batatas fritas.
Para fazer o puré, descascam-se as batatas, cozem-se em água e sal  e passam-se pelo passe vitte,  ou por um esmagador de batata que é muito mais prático e rápido.
Aquece-se  o leite (cerca de ½ l de leite por 1kg de batatas, variante conforme a batata seja mais ou menos farinhenta), deita-se aos poucos na batata esmagada e mexe-se energicamente até o puré ficar em boa consistência e aveludado.
Não necessita de manteiga, embora haja quem não a dispense,  quanto a tempero, para além do sal, apenas um bocadinho pouco de noz moscada, para quem goste, dá-lhe um bom sabor.
                                                                                                        
            

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A BATATA E A SUA HISTÓRIA



·         Batata, o nome botânico da batata,  por ventura  o tubérculo  mais popular do mundo, é solanum tuberosum,  não sabemos como, nem de onde proveio, admite-se que tenham sido os espanhóis  a divulgar o seu cultivo e que tenha  chegado à Europa em 1534.
·         Em 1557 entra no léxico português  no tratado dos descobrimentos  por Augusto Gaivão. Sabe-se apenas que todas as variedades de batata  descendem de uma única, originária do Perú.
·         O seu nome, batata, segundo o dicionarista Honaiss deriva do falar dos nativos do Haiti, o Taino e advém do castelhano,«patata».
·         A batata entrou na Europa em 1534 como planta  ornamental  e só a partir de  1570 se começou a vulgarizar como planta alimentar.
·         Porque era cultivada em hortas e pousios  estava por isso isenta   do imposto de dízimo e de outros direitos feudais, o que fez com que  os camponeses a adoptassem rapidamente, tendo o  seu cultivo em Portugal início em meados do século XVI.
·         Uma das primeiras referências à batata , se não a primeira, foi feita em 1545 pelo cronista espanhol  Agustín Zarate  Cosat, na  sua História del descubrimiento y conquista  de la provincia  de Perú. Las  viandas que em aquelas terras comem los índios som maíz cocido y tostado em lugar de pan, e la carne de venado es cocinada a la manera de mojama, existe pescado seco y unas raices de diversos géneros que Elles llaman yucas, camotes y papas.
·         Sabemos portanto (op. cit) que  o conhecimento do tubérculo  que viria a revolucionar  a história da alimentação do povo europeu, data pelo menos  da segunda metade do século XVI e que os navegadores  espanhóis e portugueses o terão provado  no local de origem, mas com isto não se quer dizer  que a população europeia, particularmente a portuguesa  e espanhola  a tenha cultivado de imediato  para seu uso, tanto mais que os médicos da época  tinham dela uma péssima opinião e consideravam-na, entre outras desvirtuosidades; desenxabida, flatulenta, indigesta, debilitante e malsã, adequada apenas ao sustento de  animais (sic). 
·         Durante o final do século XVI e no século XVII a batata não se encontra citada nos livros de receitas da época, embora alguns  escritores  espanhóis  dessa mesma época a  tenham em textos.
·         Foi já no século XVIII que o francês Antoine  Augustin  Parmentier  teria convencido Luís XVI de que  essa batata poderia  solucionar os  problemas  alimentares  do povo francês.
·         Foi então que  para divulgação e promoção da batata,  esta fez parte de uma  refeição  servida em Versailles,  a 24  de Agosto de 1785, com toda a corte reunida, para  apreciação da mesma como alimento  humano.
·          A partir daí a batata passou  a vulgarizar-se como alimento humano em França e a aumentar-se  o seu consumo,  passando de alimento malquisto e vilipendiado,  a ter lugar na mesa  dos nobres e burgueses europeus.  
·         Segundo José Hermano Saraiva, Diogo de Sousa, que terá escrito «As cortes de Parnaso», entre 1620 e 1630, seria conhecedor da batata porque a sita na sua poesia. Também Bento Pereira, no seu Thesouro da Língua Portuguesa, 1647, refere a batata. Porém, até aos finais do século XVII e grande parte do seguinte  a batata  continuou a ter uma baixa reputação na Europa, não passando de um alimento pouco conceituado pelas classes altas, utilizada apenas para alimento de animais, de escravos e  de pobres , conceito a que Portugal não fugia.
·         Para confirmação o que acaba de ser dito,  atendemos ao primeiro livro de cozinha  publicado em 1680, Arte de Cozinhar de Domingos Rodrigues, no qual a batata não aparece  mencionada, tal como acontece com outras obras dos seus colegas espanhóis.
·         A batata só aparece como receita de culinária, para gente bem instalada na vida em 1715 e 1729 registada por Francisco Borges Henriques, mesmo assim dizendo que : « o que dá pelo nome de batatada não passa de um puré grosseiro adicionado com o dobro do peso de açúcar em ponto e amêndoa pisada e, se for de nabos, passa a chamar-se nabada», contudo fica-nos a dúvida se a batata referida seria a  Solanum tuberosum (nome  botânico da batata comum, de que temos vindo a falar) ou a Ipomoea batatas ( que é a batata doce), conforme aparece  muitas vezes confundida uma com a outra.
·         A batata comum (Solanum tuberosum)  no  início do conhecimento da sua existência   não foi apreciada como alimento humano pelas classes altas, que apenas a usavam como curiosidade gastronómica,  o que se prolongou durante o século XVIII.


·         Lucas Rigaud, um dos cozinheiros de quem  presentemente se fala  muito, por ter sido cozinheiro da corte  portuguesa  nessa época, na sua obra  Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinhar  de 1780, dedica  apenas  duas linhas  à batata  em que  diz: « As batatas depois de cozidas em agoa, e pelladas,  comem-se com molho de manteiga, e mostarda».
·         Só a partir do livro de Paulo Plantier - O Cozinheiro dos Cozinheiros, editado pela primeira vez em 1870, a batata  entra nos tratados de culinária, sendo nesta obra apresentadas 18 maneiras de a cozinhar.
·          À segunda  edição desta obra, veio Ramalho Hortigão (1836-1915), com o prestígio da sua escrita,  dar um grande impulso  à credibilidade da batata  ao  adicionar  à referida  obra uma receita da sua autoria, onde ensina  frigir as batatas   em manteiga fresca vinda de Sintra, a constipa-las  no parapeito de uma janela  e a voltar a submete-las  ao inferno da gordura fervente para que empolem e se transformem no pitéu do qual exalta  a qualidade e o sabor.
·         Seis anos mais tarde, João da Mata  na sua obra «Arte de Cozinha», lançada em Lisboa em 1876, inclui as batatas nas mais variadas receitas, vindo  a torna-las indispensáveis nas variedades de cozinhados em que actualmente se representam.


·         Assim entrou a batata  no século XX como elemento respeitado, não parando a sua escalada nos mais diversos processos que hoje conhecemos: cozida, guisada, estufada , assada, recheada em puré e de toda a maneira  imaginável.
·         A batata demorou a impor-se, mas vencida a desdita do seu desconhecimento, já não é dispensável seja nos processos mais simples, como nos mais sofisticados.

Extracto do  Texto Original – A HERANÇA INCA- de JPL Reis, in Alimentação Humana, S.P.C.N.A.
       ( Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação),  vol. 14, nº3, 20, coligido  por
                                                                                                                              Palmira Cipriano Lopes.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

FILHÓS DE ENTRUDO


   
(Também conhecidas por orelhas de abade)
Ingredientes: 
            

Farinha
500g
Fermento pad.
40g
Ovos
2
Laranja, sumo
½ dl
Aguardente
1/2dl
Açucar
60g
Água
1dl
Óleo e sal
qb



Confecção:
·         Deita-se  400g de farinha num alguidar e reserva-se a restante para juntar à Farinha massa, enquanto se vai amassando.
·         Desfaz-se o fermento em água tépida,  mistura-se  com a  farinha, junta-se o sal, os ovos, o sumo de laranja e a aguardente. 
·         Começa a amassar-se  e vai-se deitando gotas de  água tépida aos poucos enquanto se amassa. Bate-se bem a massa até ela ficar branda e com ampolas.
·         Cobre-se o alguidar com um pano, sobrepõe-se-lhe um cobertor e deixa-se  levedar em temperatura moderada e estável até a massa atingir o dobro do volume.
·         Aquece-se o óleo  numa frigideira funda e larga. Passam-se  as pontas dos dedos por água, ou  por óleo,  retiram-se pequenas porções de massa, à mão,  estica-se cada uma  para dentro da frigideira e fritam-se em óleo bem quente.
·         Escorrem-se as filhós sobre um papel absorvente e polvilham-se com açúcar e canela.

Obs:
§  O óleo deve estar suficientemente  quente para que o frito não encharque  na gordura, mas não em demasia,  para que o seu interior  fique passado.
§  Sobre a curiosa designação de – orelhas de abade, ver texto sobre a gastronomia do carnaval.

Alimentos
Quant.
V.E.
Prot.
Gord.
H. C.
F. A.
g
kcal
g
g
g
g
Farinha
500
1765
45,5
9
365
18,5
Fermento
40
25,6
6
0,36
0,4
2,9
Ovos
120
179
15,6
13
0
0
Laranja
50
21
0,15
0,5
4,75
0
Aguardente
50
77
0
0
0
0
Óleo
82
727
0
81
0
0
Açúcar
60
235
0
0
59,6
0
Totais
902
3030
148
104
430
21
Nutrientes  por 100g
370
18
13
53
2
 Rendimento da receita 90% 819 kg 
         

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